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Uber no Peru: funciona ou não? Veja minha experiência

O Peru faz parte daqueles países onde é preciso negociar antes de entrar no táxi. E eu faço parte do grupo de pessoas que odeia fazer isso. Algumas interações frustradas com taxistas podem simplesmente fazer você detestar o país. Pois bem, uma forma de amenizar esse sofrimento é usando os aplicativos tipo Uber, EasyTaxi etc.

Na minha viagem ao Peru usei transfert privado, ônibus, táxi, trem e Uber. Vou me concentrar no que usei mais – o Uber e conto minhas impressões. Resumindo pra quem não quiser ler: funcionou muito bem em Lima e muito mal em Cusco.

Uber: bom em Lima e decepcionante em Cusco

Uber: bom em Lima e decepcionante em Cusco

Vale fazer uma pequena observação sobre o Uber no Peru. Talvez seja um dos poucos países no mundo onde o aplicativo não enfrenta guerra jurídica de regulamentação. O motivo? No Peru a informalidade é oficializada. Na década de 90, o governo de Alberto Fujimori em vez de investir em um sistema integrado e coletivo teve uma ideia ‘genial’ pra solucionar a escassez de transporte: fez um decreto permitindo que qualquer pessoa pudesse usar seu carro de passeio pra transportar. Nasceu o vale-tudo. Foi uma avalanche de carros pelas ruas fazendo lotadas. O caos se instalou e virou quase um patrimônio peruano no que diz respeito ao trânsito. Hoje em dia há transporte coletivo, mas ainda incipiente.

Chegando de noite na rodoviária de Lima: fui de Uber

A rodoviária Cruz del Sur tem wifi gratuito. Em poucos minutos apareceu um Uber novinho em folha

A rodoviária Cruz del Sur tem wifi gratuito. Em poucos minutos apareceu um Uber novinho em folha

Minha melhor experiência com o Uber no Peru foi na chegada de Paracas à noite na rodoviária da empresa Cruz del Sur em Lima. Era tarde e eu estava meio tensa de pegar um táxi sozinha. Ainda não tinha comprado meu chip de Internet, mas na rodoviária tinha wifi livre por alguns minutos. Primeira etapa vencida. Não precisei mudar nada no aplicativo, funcionou com meu perfil feito no Brasil mesmo e como meu cartão cadastrado é internacional não tive nenhum problema. Em alguns minutos chegou um Kia Cerato novíssimo e fez o caminho normalmente.

Depois usei e abusei do Uber nos deslocamentos pela cidade. Fiquei somente 2 dias inteiros na Capital e achei que não valia a pena tentar aprender a usar o ônibus local – o Metropolitano, ou me aventurar nas negociações dos táxis de rua. Um fato curioso é que na volta pro aeroporto, na cidade de Callao pedi um Uber e veio um taxi. Sim, o taxista usava o aplicativo. Como eu disse, vale tudo em Lima.

Na minha corrida mais cara pro aeroporto pedi um Uber e chegou um táxi. Sim, o taxista usava o aplicativo. Vale tudo em Lima.

Na minha corrida mais cara, pro aeroporto, pedi um Uber e chegou um táxi. Sim, o taxista usava o aplicativo. Vale tudo em Lima.

Uber em Cusco ainda é decepcionante

Em Cusco a situação começa a mudar e o Uber não funcionou pra mim. Por vários motivos. Para se descolar pelo centro o preço é basicamente o mesmo dos táxis (5 PEN, mais ou menos 5 Reais). Os táxis estão por todos os lados e não precisava negociar muito, só perguntar antes. Outro motivo é que nem sempre tinha carro disponível.

Mas tive duas situações particulares que valem o comentário. Em uma, o motorista pediu mais dinheiro e, em outra, simplesmente não achei Uber disponível.

Decidi ir por conta própria a Chinchero, vilarejo turístico nos arredores do Vale Sagrado. Fiz a cotação pelo Uber e deu 55 PEN (mais ou menos 55 Reais) e achei que valia a pena a comodidade de chegar logo, antes das vans e ônibus de turismo que passam por lá no fim do dia. São 29 km. O primeiro Uber cancelou. O segundo veio, mas quando descobriu pra onde era deu uma surtada.

Fato curioso. O Uber em Cusco pediu mais dinheiro pra completar a corrida

Fato curioso. O Uber em Cusco pediu mais dinheiro pra completar a corrida até Chinchero

O motorista disse que o Uber não sabia calcular direito longas distâncias e que os táxis cobravam até 100 PEN nesse mesmo trajeto. Fora que ainda ia ter que pagar os 25% de comissão pro Uber. Pois bem, pediu mais dinheiro educadamente. Eu podia ter saído e cancelado, feito uma reclamação ao Uber etc… Mas pensando bem, acho que pra fazer quase 30 km por 50 Reais tem algo errado mesmo. Ou não? Ele me encontrou em um bom dia e dei mais 10 PEN pra ele “por fora”.

A outra situação foi mais chata ainda na minha opinião. Voltando de Machu Pichu você desce na estação de Poroy, a 11 km de Cusco. De noite. Chovendo. Situação ideal pra ser explorado pelos taxistas. Não deu outra. Por ali não tinha Uber disponível. Então tive que encarar negociação com os taxistas. Paguei 50 PEN com muito custo, alguns pediam até 80 PEN dependendo da sua cara de gringo. Na volta de Poroy, portanto, marque um transfert com sua pousada em Cusco.  Pelo menos vi que o valor pra Chinchero realmente estava com algo estranho e o motorista que pediu pra complementar não estava só especulando.

Por fim, em Lima usei o Uber sem moderação e achei que valeu a pena. Em Cusco ainda é melhor marcar transfert com as pousadas ou pegar os táxis da rua.

E você, usou algum desses aplicativos de trasporte no Peru? Conte aí sua experiência.

Sobre Nivea Atallah

Jornalista de formação e mochileira por vocação.

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