quarta-feira , Janeiro 17 2018
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De Essaouira a Safi : saindo da zona de conforto

Hora de continuar de Essaouira até Safi. Compramos a passagem também na véspera pela CTM (a empresa Pullman também faz o trajeto). Foram 2h de ônibus e 40 DIRHAMS entre Essouira a Safi, a capital da sardinha e das cerâmicas marroquinas.

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Oliveiras fazem parte da paisagem no caminho entre Essaouira e Safi

Todas as viagens no Marrocos foram em ônibus muito confortáveis, com ar condicionado e cadeiras reclináveis. Chegando em Safi nos confrontamos pela primeira vez com a problemática de sair da zona de conforto, a área  turística. Safi não é uma cidade muito conhecida e pouca gente fala outra lingua além do arabe.  Ficamos meio perdidas e pensamos em desistir de Safi e ir direto pra Casablanca. Depois de cruzar uns lugares assustadores, conseguimos achar a praça central (bem distante da rodoviaria), mas não conseguimos achar nosso hotel. Não tínhamos nem ideia de como chegar.

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No plano B, tinhamos o endereço do Riad Safi, dentro da medina velha, 50 EUROS a noite em quarto duplo, bem mais caro do que prevíamos.  Achar o hotel no labirinto da medina é impossível, por isso eles recomendam de ligar da porta de entrada e um funcionário prontamente vem buscar os hospedes.

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Safi é capital da cerâmica marroquina

Safi não deixa de ser uma ótima opção, pois longe dos turistas os souks são mais autênticos, os preços mais baixos, a comida mais original. Safi é o Marrocos. Mais autenticidade implica também na força da cultura islâmica, as mulheres andam muito mais cobertas, algumas com a burca completa, só com a tela nos olhos pra ver onde pisa.

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Cooperativa onde vendem cerâmica

A força da mulher esta restrita ao lar, fora dele perde evapora no sol. Não da pra sentar em um café por exemplo, território masculino e tivemos dificuldade pra achar restaurantes pra comer. Por mais incrível que possa parecer, nos sentimos peixe fora d’água, extra-terrestres mas fomos muito menos seguidas na rua e abordadas do que nas cidades turísticas, onde os homens estão mais acostumados (ou deveriam estar) com as estrangeiras. O que vem de encontro a minha ideia de que a ousadia dos marroquinos nas cidades badaladas tem muito a ver com o assanhamento das gringas.

ceramica safi

Nosso único episodio foi quando fomos almoçar no restaurante eramos a únicas mulheres sozinhas, apesar de alguns casais Europeus. Diante da insistencia de um cara querendo falar com a gente em arabe de forma bizarra. Como não falamos nada de árabe, não entendemos, mas é certo que o velho não estava nada satisfeito de estarmos ali. Parecia querer intimidar falando alto,  foi bem surreal. O garçon se solidarizou e nos colocou em um canto reservado do restaurante pra degustar nosso Tajine em paz. É o tipo de situação incômoda, mas que se você souber ignorar em detrimento de todas as outras coisas boas e diferentes que você esta vendo, no final das contas a viagem vale a pena.

Dedicamos um dia inteiro a visita das fabricas de cerâmica, vendidas a preços bem modestos.

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 Onde dormir em Safi ?

Riad Safi

 

Continue lendo sobre o Marrocos :

Parte 5 : Safi a Casablanca, fim de viagem

Parte 1 : Marrocos em versão para mochileiras

Parte 2 : Uma noite no deserto, de Marrakech a Zagora

Parte 3 : Como ir de Marrakech a Essaouira

Parte 4 : Saindo da zona de conforto : de Essaouira a Safi

 

Sobre Nivea Atallah

Jornalista de formação e mochileira por vocação.

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