sábado , setembro 23 2017
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Quer aproveitar o Rio de Janeiro? Confira um roteiro de 2 dias

Enquanto acompanhava alguns amigos estrangeiros me dei conta de que quase nunca escrevo sobre a minha própria cidade, o Rio de Janeiro. Pão de Açúcar, Jardim Botânico, Corcovado, praias e as favelas… na correria do dia a dia esses pontos que despertam interesse de tanta gente acabam virando mais do mesmo para um carioca. Enfim, isso não significa que não ache o Rio uma das cidades mais fantásticas do mundo. Aqui vai um roteiro de dois dias testado recentemente que ajuda a aproveitar a cidade maravilhosa.

PRIMEIRO dia: Pão de Açúcar, Forte do Leme, praias, Arpoador

A primeira dica: peça ajuda a São Pedro, pois o Rio com chuva perde o encanto. Mas nós demos sorte. Amanheceu e o dia estava perfeito para começar a jornada com o Pão de Açúcar.

Vista panorâmica da Baía de Guanabara e das praias da Zona Sul: Pão de Açúcar

Vista panorâmica da Baía de Guanabara e das praias da Zona Sul: Pão de Açúcar

A ordem pode variar dependendo de onde você esteja hospedado e de onde queira ver o pôr do sol. O Pão de Açúcar fica na Urca e geralmente não tem as filas enormes do Corcovado. A subida (de 20 em 20 minutos) é bem organizada e tranquila. Não é aconselhável para quem tem vertigem em nível máximo. O tempo de duração depende de quantas fotos vai tirar, mas é bom prever umas 3h ao todo.

Saindo do Pão, é possível fazer uma caminhada até a Pista Claudio Coutinho que circunda os pés do Pão de Açúcar ou então seguir pelo aprazível bairro da Urca, mas dessa vez subimos o Forte do Leme para ver de outro ângulo a paisagem que tínhamos acabado de admirar. Pegamos um táxi (R$ 15 do Pão de Açúcar até o Leme). Para quem não conhece, esse bairro fica escondidinho na ponta da Praia de Copacabana.

Hora de subir! O Forte do Leme, como é conhecido, na verdade se chama Forte Duque de Caxias, criado em 1776 para vigiar a entrada da Baía de Guanabara, ao lado do forte de Niterói. É área do Exército e a entrada é paga. No interior tem um pequeno museu contando a história e a carreira de Duque de Caxias, patrono do Exército brasileiro.

forte do leme

A subida é super fácil em estrada de paralelepípedo. E a vista panorâmica lá de cima compensa muito. (Foto Creative Commons, Rodrigo Solmon).

Do Forte do Leme, é possível ver toda a orla de Copacabana e o Pão de Açúcar de outro lado. Passeio barato e imperdível na minha opinião.

Vista da Praia de Copacabana. (Imagem Creative Commons. Halley Pacheco de Oliveira)

Vista da Praia de Copacabana. (Imagem Creative Commons. Halley Pacheco de Oliveira)

Se for a hora do almoço, o Leme tem ótimas opções de restaurante. Tem a paella do Shirley e o risoto de frutos do mar e massas do tradicional La Fiorentina. Os dois são ponto de encontro de intelectuais cariocas e fazem parte da história da cidade.

Alimentados, vamos continuar a caminhada. Do Leme, a melhor opção é seguir pela praia de Copacabana. Aproveite para fazer fotos do Copacabana Palace. Pode entrar na área comum e diz a lenda que alguns cariocas brincam de mergulhar na piscina sem serem notados. Nunca fiz e nunca farei. Pra isso, é preciso ter cara e atitude de gente muito “phyna”.

Quando estiver na altura da Rua Miguel Lemos (logo depois do espigão do hotel Othon) dê uma entrada na rua e compre um açaí baby no Bibi Sucos. Acho que é um dos melhores da cidade.

O pôr do sol no Arpoador virou atrativo turístico

O pôr do sol no Arpoador virou atrativo turístico

Voltando à praia, logo adiante tem a opção de ir ao Forte de Copacabana, mas se já for o finzinho do dia, siga até o Arpoador. É ali onde o pessoal bate palma para o pôr do sol. Parabéns dado e é o fim do dia.

Serviço:
Pão de Açúcar: R$ 62 (2015), bilheteria aberta de 8:00 a 19:50. Informações atualizadas: http://www.bondinho.com.br
Forte do Leme: R$ 4, aberto de 9h30 a 16h30. Informações atualizadas: http://www.cep.ensino.eb.br/forte/visitacao
Restaurantes no Leme: Shirley (R. Gustavo Sampaio, 610 – Leme), Fiorentina (Av. Atlântica, 458-A).
Açaí: Bibi Sucos (Miguel Lemos 31, Copacabana)
Pôr do sol : Pedra do Arpoador, grátis.

SEGUNDO dia: Jardim Botânico, Lagoa, Cobal, Santa Marta

Antes que perguntem, não tem Corcovado no roteiro, mas a parte da manhã do segundo dia seria uma ótima oportunidade de ir. Vou colocar aqui um dia alternativo para quem não quer ir muito longe.

jardim botanico (2)
Não considero o Jardim Botânico uma visita indispensável, mas quem não conhece e tem tempo de sobra vale a pena. A evitar os finais de semana, pois fica muito cheio. O Jardim Botânico é o cenário preferido de grávidas e formandos para os respectivos álbuns de fotografia.

jardim botanico (1)

A evitar a multidão no Jardim Botânico nos fins de semana. É a locação para fotos preferida de 9 entre 10 das grávidas e formandos da cidade.

Apesar de ter virado um passeio bem elitista (entrada de R$9 e muita regra de conduta), ainda assim é inegável que seja uma espaço bonito da cidade.
Saindo dali (de novo a pé), fica pertinho da Lagoa Rodrigo de Freitas, outro passeio bem interessante a se fazer. São 7 km de ciclovia, mas não precisa contornar tudo. A Lagoa é bonita de todos os cantos.

Se você faz 4km a pé com facilidade não precisa se preocupar em pegar táxi. Essa é a distância entre o Jardim Botânico e a Cobal do Humaitá, a dica de parada para o almoço e o ponto intermediário entre a nossa próxima atração.

A Cobal do Humaitá é um complexo gastronômico com todo tipo de restaurante, desde japonês a comida de boteco. Tem realmente para todos os gostos. Já fui em todos praticamente, mas aconselho o Joaquina para comida mais elaborada e o árabe Harad para quem só quer lanchar. Vale lembrar que a Cobal é originalmente um mercado e é ótimo para comprar frutas, flores, temperos, vinhos etc… Não é o lugar mais barato, mas é possível encontrar variedade.

Depois do almoço, tínhamos encontro marcado às 14h para o tour no Morro Dona Marta. Muitos brasileiros, principalmente os cariocas, torcem o nariz para a visita das favelas, mas é um dos tours mais procurados pelos estrangeiros. Você não tem curiosidade de saber o porquê? Eu tenho e lá fui.

Visita do Santa Marta: última parada do dia

Visita do Santa Marta: última parada do dia

Subimos o bondinho que leva ao topo do Morro. Éramos umas 15 pessoas, só eu de brasileira. Brasileiros não vão na favela por vários motivos. Uns têm medo, outros acham que estão incentivando a “espetacularização da pobreza”, outros têm preconceito achando que vão ver gente triste e só pobreza e outros simplesmente porque “não ligam para eles” como diria Michael.

favela santa marta (4)

Michael Jackson: “They Don’t Care About Us”

Eu vejo esse tour de forma pragmática, como uma forma de gerar emprego nas comunidades e de conhecer problemas específicos da localidade. Também acho que as favelas têm um interesse cultural e arquitetônico muito forte. Já imaginou como é construir naquele desnível?

favela santa marta (3)

O Santa Marta ficou conhecido mundialmente depois da visita de Michael Jackson e hoje em dia recebe muita gente famosa.

grafiti santa marta

Os grafites são por si uma atração no Santa Marta

Eu já tinha feito a visita da Rocinha em um tour semelhante e dessa vez fui na comunidade do Santa Marta. Aliás, esclarecendo uma dúvida. O complexo montanhoso se chama Dona Marta, mas a favela se chama Santa Marta por causa da imagem na capela que existe no topo. O Mirante Dona Marta também é outra coisa, entendeu?

favela santa marta (2)

A produção cultural nas comunidades é muito expressiva, com grafites incríveis. Sem contar a música, culinária (existe um circuito gastronômico das favelas) etc… Acho que vale a pena se interessar e um tour organizado pode ser o primeiro passo.

Serviço:
Jardim Botânico: R$ 9, aberto de terça a domingo (8h – 17h) e segunda (12h – 17h). Informações atualizadas: http://jbrj.gov.br/visitacao.
Lagoa Rodirgo de Freitas: gratuito
Restaurantes: Cobal do Humaitá (diversos)
Favela Santa Marta: R$ 55, com direito a caipirinha. Todo dia às 8:00 ou 14:00. Fiz a reserva um dia antes, paguei pela Internet e deu tudo certo. No horário combinado o Thiago chegou no posto Shell (esquina da Rua da Matriz com Rua São Clemente, em Botafogo). Informações e reserva: http://favelasantamartatour.blogspot.com.br/

Sobre Nivea Atallah

Jornalista de formação e mochileira por vocação.

Um comentário

  1. Muitooo legal seu tour!! Adorei o seu site super dicas!!

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