domingo , julho 23 2017
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Porto Jofre : em busca da onça pintada

Depois de um circuito itinerante de três dias no Pantanal Norte, pulando de fazenda em fazenda, partimos de madrugada pra conquistar as últimas dezenas de quilômetros da Transpantaneira – a mágica estrada de 150 km que atravessa uma das mais ricas faunas do planeta. Só de pássaros, o Pantanal tem 670 espécies. A alguns metros do carro,  centenas de jacarés disputam o pouco de água que resta nas lagoas – estamos na estação da seca. Em meio a esse zoológico selvagem, no entanto, tínhamos um objetivo bem claro : ir ao encontro da onça pintada.

Os melhores meses pra observação do maior felino das Américas são entre julho e outubro, quando a seca impulsiona os bichanos pra beira do rio em busca de água e das presas. Pra aumentar as chances de ver a onça, é recomendável passar ao menos três dias de barco, 8h por dia, percorrendo as margens do Rio Cuiabá e afluentes.

Chegamos em Porto Jofre no final da manhã, bem no final da Transpantaneira, onde as onças podem ser vistas com mais frequência. Com o calor do meio dia, tínhamos as condições ideais. As onças pintadas são sensíveis ao frio e se escondem na parte da manhã e no final de tarde, quando as temperaturas caem no Pantanal.

Pulamos no barquinho a motor um pouco desanimados com as notícias. Há dois dias ninguém tinha conseguido ver as onças por lá. O piloto segue por 30 minutos até alcançar o Parque Estadual “Encontro das Águas”. O longo período de busca é recompensado pela fauna e paisagens locais. É cansativo, mas eu tinha certeza de que não ia sair de lá sem vê-las. Uma curva e lá estão elas, três onças escondidas no meio da vegetação do cerrado, na beira do rio. Segundo o guia, duas fêmeas e um macho. A vegetação aquática nos impede de aproximar um pouco mais.

Ver a onça pintada era um sonho antigo, desde a primeira vez que visitei o Pantanal. O coração acelerou de verdade diante daqueles felinos, assim, no habitat natural. São majestosas, hipnotizam. Dá pra se perder no tempo e ficar ali o dia todo olhando elas fazerem nada.

Logo a notícia se espalhou por rádio e outros barcos chegaram silenciosos com dezenas de fotógrafos profissionais que se hospedam em Jofre em busca da foto perfeita da onça. Eu só tinha minha camerazinha xereta, inveja total.

Críticas à parte, muita gente acha que a observação da onça virou um circo, é caro e que os animais são cevados (na linguagem de caçadores, é dar comida pra que fiquem por perto). Pra mim, olhar a onça pintada in natura representa esperança na preservação da vida selvagem acima de tudo.

É de conhecimento geral que os fazendeiros matam onças porque elas comem os gados, que existe caça “esportiva”, que se vende o couro. Hoje em dia, no entanto, como dizem na região “uma onça viva vale muito mais do que uma morta”. Muitas fazendas passaram a investir no ecoturismo e agora veem a preservação da onça pintada pantaneira como forma de garantir o futuro.

fotografando onça pantanal

No fim do dia deixei o rio Cuiabá exausta, mas cheia de esperança. Ao menos aqui em Porto Jofre, as armas de caçadores foram trocadas por máquinas fotográficas.

Em busca da onça pintada

Quando ir ?

De julho a outubro. No período de seca, as onças ficam mais próximas do rio, nas margens, em busca de água e da caça, o que facilita a observação.

Pra onde ir ?

Mato Grosso. Chegando em Cuiabá, são 100 km de estrada asfaltada até a cidade de Poconé. Em seguida entrar pela Transpantaneira até o final, em Porto Jofre, 150 km de estrada de chão. O ideal é fazer um circuito itinerante pra não ficar muito cansativo.

Onde dormir ?

A Transpantaneira tem pousadas e fazendas que hospedam de cabo a rabo, mas pra ver a onça é preciso ficar no final dela. Existe a opção de luxo, o Hotel Porto Jofre, diárias em torno de 500 Reais. E a Pousada Puma, de 300 Reais. No Puma não tem energia elétrica, a pousada gira com painel solar e gerador. (Em breve review das fazendas da Transpantaneira).

Quanto custa ?

Vale lembrar que pra ver a onça é preciso buscar exaustivamente na beira dos rios, de barco. O aluguel com o piloto gira em torno de 600 Reais – o dia todo e cabem  4 pessoas no barquinho.

 

Sobre Nivea Atallah

Jornalista de formação e mochileira por vocação.

13 comentários

  1. luis claudio

    Nivea Bom Dia..
    Eu ja estive no Pantanal por quatro vezes ..
    Sempre ficando hospedado em pousadas no ms e mt..
    E nunca tinha visto uma onça pintada..
    Mas um dia quando voltava da Bolivia fronteira com Corumba.. Pude ver o tal felino..
    Estava na estrada quando atravessou na frente do meu carro, ela é muito bonita.. E precisa que todos a preservem pois ele é a Joia rara da nossa fauna.

    obrigado
    luis claudio

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