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Quatro dias em Paraty

canoa caicara - paraty
Reserva da Joatinga, Ponta Negra

Os índios guarani imaginaram o paraiso assim : pouca gente, cachoeiras cercadas por verde exuberante e, claro, vista pro mar. Fugidos da conquista européia, subiram a pé o litoral desde o sul em busca da sua “Yby Yby Maray ” ou a “terra sem mal” em tupi-guarani. Coincidência  ou não, quando passaram pela região de Paraty e Angra dos Reis, decidiram ficar.

ponta negra paraty
Existe mar mais bonito do que o da Costa Verde ?

A beira do mar da Costa Verde, o tempo passou, se misturaram aos portugueses e africanos e formaram uma das etnias mais interessantes do Brasil – o povo caiçara.

casa caiçara
As casinhas de pau-a-pique ainda persistem

Dona Ana é caiçara de Mangaratiba, da época pré-Rio-Santos, quando a região era totalmente isolada e o único meio de trasporte eram as canoas a remo. Ela lembra que a unica maneira de enterrar seus mortos era viajando até três dias pelo mar rumo ao cemitério mais proximo. Por causa das tempestades e do clima instável da região, muitas delas viraram no meio do caminho obrigando os mortos a descansarem pela eternidade no fundo do mar. Não tinham médicos e viraram profundos conhecedores de plantas medicinais da mata atlântica. Até pra casar era dificil. Ou se casava com um primo ou dependiam das festas  entre comunidades. Diziam que era troca de mercadorias, mas o que rolava mesmo era  vontade de casar.

pescadores caiçaras
A cultura da pesca ainda é forte na região

Paraty Angra são parte da nossa historia. Praticamente isoladas do mundo, ficaram em evidencia como portos de escoamento durante a febre do ouro, do café e da cana de açúcar, mas cairam no esquecimento. Nos anos 70, com a construção da Rio-Santos, veio o progresso, a especulação imobiliária. Muitos caiçaras sairam da beira do mar pra dar lugar as mansões luxuosas. Ocuparam desordenadamente as encostas dos morros.

caicaras - praia do sono

Nos anos 80 o conceito de ecoturismo e preservação da cultura caiçara começou a chegar amenizando um pouco o impacto. A “terra sem mal” ainda é uma utopia, mas é preciso valorizar a sabedoria Guarani. Apesar dos problemas, a Costa Verde soube preservar sua beleza natural e o aspecto bucólico das vilas de pescadores acessíveis somente de barco ou por longas caminhadas. Restou também, apesar de tudo, um povo caiçara orgulhoso da própria historia.

rede de pesca caicara

Nota : o artigo foi escrito para a revista de turismo francesa LeMag e publicado originalmente em francês.

O ROTEIRO DE QUATRO DIAS

Quanto custa encontrar a sua Yby Yby Maray ? Aproveitei uns dias de folga – de quinta a domingo – pra fazer um roteiro de quatro dias de imersão na cultura Caiçara em Paraty. A região escolhida foi a reserva da Joatinga e a praia da Ponta Negra.

DIA 1 : RIO – PARATY

centro histórico de Paraty

Pegamos o ônibus as 10:00 na Rodoviária Novo Rio, 4h30 de viagem até Paraty. Os ônibus são sempre bem confortaveis. Assim que chegamos fomos procurar um restaurante que tinha sido indicado (bom e barato), o vaga-lume. Decepção, não existe mais. Nos indicaram o correspondente – o Restaurante do Netto. Pratos pra 2 pessoas variam de 20 a 48 Reais. Pedimos a moqueca de camarão. De 0 a 10, daria nota 7 pra moqueca. Tentamos comer o peixe com banana tipico da cozinha caiçara, mas não era época do peixe apropriado.

Dormimos na Pousada Marendaz, ótima opção pra quem não quer ceder aos preços altos das pousadas coloniais do centro histórico, mas também não quer ficar em albergue. Tem quartos grandes pra até 6 pessoas, boa pra familias e grupos. Dá pra ir a pé da rodoviária de Paraty, pouco mais de 5 minutos.

Gastos do dia : ônibus Rio – Paraty : 59 Reais pela viação Costa Verde (www.costaverdetransportes.com.br), Pousada Marendaz : 120 Reais / quarto, 24 3371-1369. , Restaurante do Netto : 70 Reais (para 2 pessoas / comida e cervejas), Barril Pub Choperia : pizza grande 36 Reais e caipirinha a 7 Reais. Obs : Nos bares fora do centro histórico a cerveja de garrafa custa 5,50 e dentro custa 7,00.

DIA 2 : PARATY – PONTA NEGRA

barco para na ponta negra - paraty
A travesssia de barco Laranjeiras – Ponta Negra é em barquinhos a motor. Quem enjoa é bom se preparar !

Pegamos a mochila e fomos pra rodoviária tomar o ônibus que sai de Paraty – o 1040, que leva até o condominio de Laranjeiras – 40 minutos de estrada. Bastar saltar em um ponto antes do destino final. Existe uma van privada do chiquérrimo condominio que leva até o porto. Não sabia que era gratuito, perguntei quanto era e a moça moradora da Praia do Sono que estava do meu lado me falou baixinho “não custa nada, é que o condomínio não quer ver a gente passando a pé”. Então tá, coisas do Brasil. Pagam uma combi pra não ver nossa cara de pobre cruzando as ruas.

Já tínhamos combinado com um barqueiro pra nos pegar. Ficamos no Chalé do Elizeu. Reservei tudo com o Teteco : http://tetecopontanegra.blogspot.com.br/. Existe também a http://olharcaicaraturismo.com.br. Tem varias opções de chalés, dos mais confortaveis aos mais simples. Vale lembrar que não tem energia elétrica na Ponta Negra, mas algumas casas têm painel solar e agua quente. Pode-se combinar o café da manhã também em um dos bares da praia.

praia da ponta negra - paraty1
Praia da Ponta Negra em Paraty

Gastos do dia : ônibus Paraty – Laranjeiras : 3,00, barco Laranjeiras – Ponta Negra : 25,00, Chalé na Ponta Negra : 40 a 100 Reais por dia e por pessoa (depende se quer serviços ou não, como o café da manhã). Opções mais econômicas são o camping. Chegando lá pergunte pelo Camping da Branca que todo mundo conhece. Refeição na Ponta Negra : 17 Reais

DIA 3 : PONTA NEGRA – PRAIA DO SONO – PONTA NEGRA

trilha do sono - paraty

Resolvemos fazer a trilha até a Praia do Sono. A caminhada começa logo acima do camping da Branca. É preciso descer em uma praia quase sem areia, so de pedras e ir atravessando pelas pedras mesmo até encontrar uma ponte escondidinha. A partir dai, o caminho é intuitivo por meio da mata. Passamos pelas praias do Antiguinhos e Antigo, bem bonitas e desertas.

praia do sono - paraty
Chegada na Praia do Sono depois da trilha

Foram 2h, mas paramos pra tomar banho nas praias do meio do caminho. Caminhada fácil. Voltamos de barco pra não pegar a trilha no escuro. Vale lembrar que no outono e inverno escurece às 17:00.

chale do elizeu - ponta negra
Chale na Ponta Negra – alguns têm painel solar e água quente

Gastos do dia : almoço no Sono : 20 reais, lanche pra levar pra Ponta Negra  (não tinha onde comer na Ponta Negra de noite, na baixa temporada os bares ficam fechados) : 15 reais, barco Praia do Sono – Ponta Negra : 20 reais

DIA 4 : PONTA NEGRA – PARATY – RIO

gaivotas de paraty

Fizemos o caminho inverso de barco 12:30. Chegamos em Paraty, almoçamos e voltamos no bus de 15h30 pro Rio. Depois do paraiso, é chocante chegar na feiosa rodoviária Novo Rio. Barulho, confusão. De volta à realidade.

Gastos do dia :  barco Ponta Negra – Laranjeiras : 25 reais, ônibus  Laranjeiras – Paraty : 3,00, almoço : 30 reais (não lembro o nome), ônibus Paraty – Rio : 55 reais.

 

 

 

About Nivea Atallah

Jornalista de formação e mochileira por vocação.

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