sábado , setembro 23 2017
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Chapada dos Veadeiros de ônibus : eu fiz

Num país onde o principal guia de viagem se chama 4Rodas, viajar de ônibus definitivamente não é um conto de fadas. Eu bem sei, pois não dirijo e quando viajo sozinha só uso meios de transporte coletivo. Vivo no olho do furacão do perrengue. É por isso que vou contar como fiz pra chegar até a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, de ônibus e como sobrevivi por lá sem carro, já que as cachoeiras ficam longe da cidade.

Eu tinha direitinho os passos a  seguir : pegar um ônibus da Real Expresso que sai da rodoviária nova de Brasília às 10h, chega em Alto Paraíso às 13h. Se for pra São Jorge (meu destino), esperar o ônibus da viação Santo Antônio que passa às 15h e ser feliz.Claro que não foi bem assim. 

Rodoviária nova de Brasília

Rodoviária nova de Brasília : ônibus para Alto paraíso, todo dia às 10:00 (Foto Wikimedia/Commons)

Pra começar, cometi um erro que me é característico : ir pro endereço errado. Depois de muito pesquisar e dizer pra mim mesma “não posso me enganar de rodoviária em Brasília”, adivinha o que aconteceu ? Fui pra rodoviária do Plano Piloto, quando tinha que ter ido pra Interestadual. Se você tiver o mesmo nível de retardamento que eu, não se desespere. Da Plano Piloto é só pegar o metrô e saltar na estação Shopping, que dá acesso a interestadual. Nisso perdi uns 30 minutos.

Pois bem, chegando lá troquei minha passagem que tinha comprado na Internet por R$ 38 e paguei a taxa de embarque a parte. O ônibus atrasou 40 minutos e eu fiquei ouvindo ou “causos” dos moradores de Alto Paraíso que voltavam pra casa na sexta-feira. Parece que os atrasos são comuns e os ônibus quebrarem no meio do caminho também. Uma moça disse que o ônibus quebrou três vezes na última viagem dela e o ar condicionado sempre pifa. Por isso que existe todo um esquema de carona e lotadas que só descobri depois. Realmente o povo faz de tudo pra não depender do transporte coletivo por lá, porque senão ferrou.

Continuando. O ônibus da Real Expresso chegou, finalmente. Era um convencional climatizado de conforto mediano. Quebrou com 20 minutos de viagem, mais rápido do que eu imaginava. Mal tínhamos saído de Brasília. Mais uma meia hora esperando na estrada. Até que aí foi a parte boa, chegou um ônibus executivo bem melhor pra continuar a viagem. Acho que posso me considerar uma pessoa de sorte.

Nessa brincadeira toda, quando cheguei em Alto Paraíso já eram quase 16h. Não durou muito pra descobrir que o ônibus que deveria passar pra São Jorge (que fica a 33km dali) é temperamental, tem dia que vem, tem dia que não vem. O comentário por lá é que a empresa está falindo. Como sempre, o povo se organiza em paralelo. Os moradores fazem lotadas e conseguimos fechar um carro com 4 pessoas : 25 Reais pra cada um. A única dúvida é se o carrinho ia aguentar chegar até lá de tão velho e surrado. Até o letreiro “taxi” de cima do carro tava quebrado pela metade. Por mim eu já estava no lucro.

Capela em São Jorge, Goiás

Capela em São Jorge, Goiás

Enfim, cheguei em São Jorge debaixo de chuva (janeiro é chuvoso), bem cansada, ainda sem saber se eu ia conseguir fazer os passeios sem carro no dia seguinte.

 

 

 

Sobre Nivea Atallah

Jornalista de formação e mochileira por vocação.

9 comentários

  1. Beatriz do Nascimento Prechet

    Oi ! estou querendo ir para a Chapada para o Reveillon. Você recomenda?
    Quanto a pousada, em qual ficou?

  2. Kelly Fonseca

    Que absurdo! Alto Paraiso e arredores já são um tempo pontos turísticos e não temos transportes seguros . Todos os dias tem pessoas que vão . A carona é legal, vc faz amizades, mas pode ser perigoso. As empresas de turismos aproveitam e cobram valores absurdos .

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